04 março 2009

O Casamento, visto por uma Astróloga/Ceramista

"Despertar das Fadas", terracota, Armando Correia, 1996


Matrimónio e/ou casamento, é um vínculo institucionalmente reconhecido e socialmente aceite pela sociedade. Contudo, a abordagem que se segue sobre tema, não se refere à caderneta que documenta um contrato civil, mas sim ao encontro estável no espaço e duradouro no tempo, de carácter espiritual, consagrado na matéria entre duas pessoas.

Evidentemente que se a formalização do casamento pelo Civil ou o compromisso perante as igrejas, não fosse importante para os seres humanos e reconhecido como um vinculo que afecta a individualidade, mas que ao mesmo tempo traz segurança às partes envolvidas, não observaríamos a busca crescente em legalizar o casamento homossexual. Parece ser um claro indicador da perpetuação da instituição casamento, que pesa nos costumes sociais e nas questões legais e servem de argumento para a luta deliberada das minorias, para alcançar a igualdade social.

O casamento é uma entidade com existência própria capaz de afectar positiva e/ou negativamente quem o constitui, inclusivamente terceiros que se relacionem com o casal. O mesmo também se observa em pares que apesar de não estarem casados, experimentam laços de convivência suficientemente prolongados no tempo adquirindo portanto a qualidade de relação marital.

A astrologia possui uma ferramenta, que nos pode elucidar sobre a natureza do vínculo matrimonial: o Mapa Composto. Este permite-nos analisar a mecânica própria de determinada parceria, os seus códigos, os seus pontos fortes e os seus pontos débeis. Sendo portanto uma técnica astrológica que não se limita ao estudo de como interagem duas pessoas numa situação de casamento, abrangendo portanto sociedades ou qualquer tipo de parcerias.

A técnica astrológica Sinastria também propõe uma modalidade de leitura astrológica das relações humanas, diferenciando-se da carta composta porque nos enforma do que sucede quando duas pessoas se encontram e começam a relacionar-se. Ilustra o que ocorre com cada uma delas em relação à outra. Em temos antropológicos corresponde à fase de cortejo e de noivado, destinado ao conhecimento mútuo e adaptação diante um compromisso a largo prazo.

Um matrimónio pressupõe que dois seres humanos que se relacionam amorosamente originam acções, projectos de vida, sustentados pelo tempo. Para que este projecto de vida prepare terreno fértil, de onde poderão ser colhidos frutos, é imprescindível que aqueles dois seres aprofundem o conhecimento mútuo. A Sinastria pode ser uma preciosa ajuda, mas não fundamental, ou fim e ao cabo, quantos são os casais tremendamente felizes e funcionais que nunca recorreram a um astrólogo? Inúmeros, seguramente. Na prática estar disposto a reconhecer o outro, pressupõe sem qualquer dúvida, um profundo reconhecimento de nós próprios e a astrologia é efectivamente uma ferramenta muito eficaz para o efeito. Por isso recomendo que antes de procurar perceber a química de determinada relação, procure conhecer-se a si mesmo, através de uma consulta individual.

Recordemos que o casamento por amor é uma criação cultural relativamente recente e própria do ocidente. Para perspectivar uma união por conveniência a utilização da técnica do Mapa Composto é obviamente a mais indicada, pois este terceiro mapa resulta dos pontos médios entre planetas idênticos de duas cartas individuais, mostrando-nos o potencial de determinada união. No entanto estamos no ocidente, e estamos a falar de uniões supostamente consagradas por amor, logo, muito embora juntos possamos ser um potencial em ascensão, se não houver sincronicidade no conjunto, o que resta é pura sociedade, e não um verdadeiro relacionamento.

A preparação de uma relação matrimonial assemelha-se ao trabalho de um ceramista. Numa primeira fase é necessário encontrar a pasta cerâmica adequada à peça que pretendemos fazer, esta fase corresponde em termos de relacionamento ao encontro entre duas pessoas onde se verifica a existência de química, atracão entre dois seres. Para um Ceramista existe sempre um tipo de pasta com a qual encontra maior identificação e liberdade para criar. No entanto, essa pasta não está pronta, é necessário amassar, tornar coesos os diferentes componentes que constituem uma pasta, e esta etapa é fundamental para o bom resultado da cozedura; corresponde à fase de enamoramento, cortejo. Precede a esta metamorfose, eliminar na pasta as bolhas e pequenas impurezas, responsáveis pelas quebras de cozedura; porque cada um trás para a possível relação as diferentes matérias-primas da sua esfera de individualidade. No passo seguinte a peça começa a ser moldada, e isto obedece a tempos próprios de espera. Demasiada velocidade, não permite que as paredes da peça ganhem consistência. Demasiada lentidão impede que se proceda ao acabamento da mesma. Tudo tem o seu tempo. Por último a cozedura a alta temperatura, permite que a peça seja perdurável ao longo dos tempos. Isso é o desejável; o impulso corporal transforma-se em sublimação espiritual plenamente consciente, o erótico transforma os indivíduos que se unem e constituem com o tempo, numa só carne e sangue, e isto em profundidade é uma das premissas do projecto do laço conjugal. Os materiais constituintes da obra, as qualidades destacáveis do projecto, a profunda noção dos seus pontos fracos, pontos de quebra, definem o potencial de perdurabilidade da peça.

Na prática tudo depende da qualidade dos ceramistas, que o resultado se aproxime mais ou menos fiel ao modelo prefigurado. A peça pode explodir durante a cozedura, ou ficar mal cozida por falta de temperatura, ou sofrer de diferenças bruscas de temperatura. Mas uma vez colocada no forno não tornaremos a ter os materiais constituintes em separado. Uma peça com rachas de cozedura é de irreversível reparação.

Os verdadeiros Ceramistas, os verdadeiros Casais expressam através da sua obra a bênção se saber viver a intensidade da verdadeira união conjugal, onde todos os componentes dançam a música cósmica, onde a energia biológica e a energia do espírito co-habitam, fundindo-se tal como as matérias orgânicas e as matérias minerais se fundem na cerâmica, dando lugar ao milagre da obra de arte, à dimensão espiritual da união entre dois seres humanos, ao mistério sacramental do amor matrimonial.

4 comentários:

António Rosa disse...

Magda

Lindo post. Gostei muito da analogia com a cerâmica. É quase a perfeição...

Como sabes, as sinastrias e os mapas compostos são ferramentas que não colhem a minha «paciência»... apesar de funcionarem perfeitamente.

Aliás, tudo em astrologia funciona.

Beijinho

Magda Moita disse...

Olis António!

Como sabes partilho a mesma visão que tu das sinastrias e mapas compostos, muito embora não seja tão "alergica", lol.

A visão do Ceramista essa é outra historia.

Beijinho

FadaMoranga disse...

Ola Magda! Muito bonito! E eu tenho uma paciencia de santa para sinastrias... :-)

Um beijo*de Fada

Magda Moita disse...

Olá FadaMoranga!

Muito obrigada pela visita, fico contente que tenhas gostado do texto!

Eu também não tenho muita paciência para as Sinastrias, mas não tão pouca como o António, Lol...

Beijos luminosos.
Magda